Com perguntas simples de “sim” ou “não”, escrivã da Polícia Civil de Santa Vitória fingiu negociar acessórios para mapear o risco e resgatar mulher e criança de dois anos.

Uma ação rápida e estratégica liderada pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) libertou uma mulher de 28 anos e sua filha de apenas 2 anos mantidas em cárcere privado e sob agressões na zona rural de Quirinópolis (GO). O resgate teve início após uma denúncia anônima recebida em Santa Vitória, no Triângulo Mineiro, e foi concluído na última segunda-feira (5) com a prisão em flagrante do agressor, de 26 anos, no estacionamento de um supermercado, graças a um plano de disfarce elaborado por uma escrivã.
O “Jogo de Perguntas” e a Venda Simulada
Após o recebimento da denúncia de que uma moradora de Santa Vitória estava sendo trancada e agredida na casa do companheiro em Goiás, a escrivã da PCMG conseguiu o número de telefone da vítima. Consciente do risco e desconfiando de que o suspeito pudesse estar ao lado monitorando o aparelho, a policial ligou simulando ser uma vendedora de semijoias.
Durante a chamada, a policial intercalou a oferta fictícia de produtos com perguntas diretas sobre a segurança da mulher, formuladas para que fossem respondidas apenas com “sim” ou “não”. Através dessa dinâmica, a vítima confirmou estar presa e acompanhada do agressor. Para reforçar a farsa e afastar suspeitas, a escrivã enviou fotos do catálogo de acessórios por mensagem.
As questões foram elaboradas de forma que a vítima pudesse responder apenas com “sim” ou “não”. Por meio desse código, a policial confirmou:
Que a vítima necessitava de intervenção policial urgente.
Que a mulher estava sendo mantida contra a própria vontade;
Que o agressor estava próximo e monitorando a situação;
Fuga do Cativeiro e Prisão em Flagrante
Para se comunicar com mais liberdade, a vítima simulou um mal-estar intestinal e foi ao banheiro da fazenda. Por aplicativo de mensagem, relatou o medo de sofrer retaliações, mas informou que tentaria convencer o companheiro a ir até a zona urbana. A escrivã orientou a vítima a compartilhar a localização exata assim que chegasse à cidade para o envio imediato da Polícia Militar.
Ao chegar a um supermercado em Quirinópolis acompanhada da filha de 2 anos, a mulher trancou-se no banheiro e enviou as coordenadas de GPS. Acionada pela polícia mineira, uma equipe do 50° Batalhão de Polícia Militar de Goiás (PMGO) realizou a abordagem no local. O suspeito negou os fatos, mas recebeu voz de prisão após a confirmação do cárcere pela vítima, que solicitou medidas protetivas de urgência.
Histórico de Violência
Segundo o boletim policial, a vítima havia conhecido o suspeito pelas redes sociais há cerca de dois meses e se mudou para a propriedade rural em Goiás. Diante de desentendimentos e brigas frequentes, manifestou a vontade de retornar para o Triângulo Mineiro. O homem concordou inicialmente, mas no dia marcado para a viagem trancou a mulher e a criança em um quarto, desferiu agressões, fez ameaças de morte e espalhou os pertences das vítimas pelo chão.
O agressor, que já possui passagem criminal por homicídio, foi levado para a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM) e autuado em flagrante por violência doméstica.
Após o resgate, a mulher solicitou medidas protetivas de urgência e já se encontra em segurança com seus familiares em Minas Gerais.
Fonte: G1