Criança de 10 anos foi encontrada trancada em um quarto, pedia socorro pela janela e está internada em estado grave; mãe foi presa por abandono de incapaz.

O resgate de um menino de 10 anos que era mantido trancado em um quarto de apartamento, em Goiânia, acendeu um alerta em todo o país sobre a eficácia das redes de proteção à infância e o acompanhamento de menores com condições crônicas de saúde. A criança, que utilizava a janela para gritar por socorro e pedir comida aos vizinhos, foi internada às pressas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (Hecad) com quadro grave de desidratação e glicemia acima de 500 mg/dL. A mãe foi presa em flagrante pela Polícia Civil e responderá pelo crime de abandono de incapaz.
O Resgate e as Condições de Abandono
De acordo com os depoimentos de moradores e do Conselho Tutelar à TV Anhanguera, o menino aproveitava os momentos em que outras crianças brincavam no pátio do condomínio para interagir pela janela. Para sobreviver, ele utilizava lençóis amarrados e uma sacola plástica para içar garrafas de água e alimentos fornecidos por vizinhos solidários, que já haviam tentado acionar as autoridades anteriormente.
Ao entrarem no imóvel, equipes do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar constataram um cenário de extrema insalubridade: lixo acumulado, roupas espalhadas, louças sujas e restos de comida apodrecida. No cômodo onde o menor ficava confinado, os militares encontraram apenas um colchão no chão, poucos brinquedos e uma garrafa plástica utilizada para as necessidades fisiológicas. Em depoimento, a mãe alegou que mantinha o filho trancado para impedir que ele consumisse alimentos em excesso, justificando que a medida era para controlar o diabetes do filho.
Gravidade Clínica e Risco de Automedicação
Segundo o conselheiro tutelar José Roberto, o estado de saúde do menor ao ser resgatado era de extrema debilidade física. A negligência médica quase levou o menino a um coma diabético, já que sua taxa glicêmica superava os 500 mg/dL.
O delegado Eduardo Carrara, responsável pelas investigações, pontuou que o risco de morte era iminente, não apenas pela privação alimentar, mas também pela presença de canetas de insulina ao alcance da criança. O ambiente oferecia o perigo real de que o menor tentasse administrar a medicação sozinho para conter o mal-estar, o que poderia ser fatal sem a dosagem correta e a supervisão de um adulto. O garoto segue na UTI, sem previsão de alta, e manifestou o desejo de morar com o pai assim que receber a liberação médica.
Confira o vídeo do resgate: https://g1.globo.com/go/goias/videos-ja-2-edicao/video/menino-de-10-anos-e-resgatado-por-conselheiros-tutelares-14767810.ghtml
Fonte: G1