

A assessoria do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) reafirmou a manutenção de sua pré-candidatura ao Governo de Minas Gerais para as eleições de 2026. A declaração contradiz diretamente a cúpula do seu próprio partido incluindo o presidente nacional, Marcos Pereira, e o estadual, Euclydes Pettersen, que anunciou publicamente a desistência do projeto e o apoio da legenda à pré-candidatura do ex-secretário de Governo Marcelo Aro (PP).
Ruptura partidária e apoio a Marcelo Aro
O racha interno no Republicanos ganhou força após a ausência do senador na convenção estadual da legenda. Em nota oficial assinada pelas instâncias estadual e nacional, a sigla classificou a não participação de Cleitinho como um “fato político objetivo”, alegando que aguardou por meses uma definição formal por parte do parlamentar para organizar as alianças no estado.
Com a decisão da cúpula de reorganizar a estratégia eleitoral, o Republicanos oficializou a migração do seu arco de aliança para a pré-candidatura de Marcelo Aro. A reviravolta também causou impacto nas articulações do Partido Liberal (PL), que aguardava a posição do parlamentar para estruturar o comício do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em Minas. O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, chegou a declarar publicamente que Cleitinho teria “perdido o timing” para a consolidação de acordos políticos.
Apesar do tom de resistência adotado por sua equipe de comunicação, a eventual manutenção da candidatura enfrenta entraves jurídicos estritos:
- Prazo de Filiação: Conforme a legislação eleitoral brasileira, os pré-candidatos deveriam estar filiados ao partido pelo qual pretendem concorrer até o dia 4 de abril (seis meses antes do pleito de outubro).
- Fidelidade Partidária: Embora detentores de mandatos no Senado possam mudar de legenda sem a perda do cargo, Cleitinho só poderá disputar as eleições deste ano se estiver formalmente lançado pelo Republicanos, legenda na qual estava inscrito ao fim do prazo legal.
Confira abaixo a íntegra da nota divulgada pela legenda:
NOTA OFICIAL
O Republicanos de Minas Gerais, por meio do seu presidente, deputado Euclydes Pettersen, afirma que sempre tratou com entusiasmo, respeito e seriedade a possibilidade de o senador Cleitinho Azevedo disputar o Governo pela legenda. Este entusiasmo, porém, não foi correspondido até o dia da Convenção Estadual, ocorrida dia 25 de julho.
Durante meses, o partido manteve diálogo aberto, ofereceu as condições políticas necessárias, atraiu partidos aliados e aguardou uma definição clara do senador. Em razão dessa expectativa, diversas decisões estratégicas foram postergadas, justamente para preservar a viabilidade de sua eventual candidatura.
Entretanto, uma candidatura exige, antes de tudo, a decisão firme de quem pretende disputá-la. Tal decisão nunca aconteceu. Esse compromisso jamais pode ser substituído por sinais contraditórios, sucessivos recuos ou indefinições que acabam comprometendo a construção de um projeto coletivo.
A ausência do senador na Convenção Estadual do Republicanos – apesar das justificativas pessoais – representou um fato político objetivo, que produziu consequências inevitáveis. Diante da falta de confirmação de sua candidatura, partidos aliados precisaram tomar decisões e reorganizar seus caminhos, como é natural em qualquer processo eleitoral.
O partido trabalhou duro para que essa candidatura pudesse acontecer. O que faltou foi a decisão inequívoca de quem deveria ser, em primeiro lugar, candidato de si mesmo.
O Republicanos respeita a trajetória e o mandato do senador Cleitinho Azevedo, mas também tem o dever de conduzir seu projeto político com responsabilidade, previsibilidade e respeito aos candidatos a deputados federais e estaduais, seus filiados, aliados e à população mineira.
Os fatos falam por si. O partido esteve pronto. A candidatura, porém, nunca foi formalmente assumida por quem deveria liderá-la.