Aprovado pela Justiça paulista, o pedido de recuperação do Grupo Gennius tenta conter dívida milionária gerada por juros altos e mudanças no consumo pós-pandemia.

O Grupo Gennius, conglomerado responsável por marcas como Habib’s, Ragazzo e Tendall Grill, obteve autorização da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) para iniciar seu processo de recuperação judicial. A medida foi tomada para reorganizar um passivo de R$ 265,2 milhões e proteger o funcionamento regular de suas operações contra execuções de dívidas. O grupo dispõe de um prazo impreterível de 60 dias para apresentar seu plano definitivo de reestruturação sob risco de falência.
Detalhamento do passivo financeiro
A decisão proferida pelo juiz Jomas Juarez Amorim suspendeu temporariamente a execução de contratos e bloqueios judiciais, garantindo a manutenção do fornecimento de insumos essenciais. O montante total da dívida abrange R$ 241,7 milhões em créditos quirografários (compostos principalmente por débitos com fornecedores e bancos), R$ 22,3 milhões em obrigações trabalhistas e R$ 1,1 milhão devidos a micro e pequenas empresas.
A consultoria KPMG assumiu a administração judicial da operação, que envolve 178 CNPJs integrados ao conglomerado. A estrutura abrange 119 unidades do Habib’s, 26 do Ragazzo, seis churrascarias Tendall, além de holdings, centrais operacionais e duas propriedades rurais voltadas à produção de alimentos.
Fatores determinantes para a crise
De acordo com os argumentos apresentados pela defesa do grupo no processo, o desequilíbrio econômico-financeiro teve início durante a pandemia de Covid-19, quando o fechamento de shoppings e centros urbanos reduziu drasticamente o fluxo de presencial de consumidores.
O documento aponta ainda que a consolidação do trabalho remoto e a migração de clientes para plataformas de entrega (marketplaces) reduziram as margens de lucro dos restaurantes físicos. Em paralelo, o ciclo de elevação da taxa básica de juros (Selic) encareceu expressivamente o custo das dívidas bancárias do grupo que superam R$ 300 milhões, drenando o caixa operacional destinado a investimentos.
Em nota oficial, a diretoria do Grupo Gennius informou que todas as unidades seguem operando normalmente, mantendo a rotina de atendimento e a qualidade dos serviços prestados ao público.