Esquema utilizou acessos indevidos, empresas fictícias e contas de “laranjas” para ocultar o destino do dinheiro.

Comprador da fintech Naskar Gestão de Ativos Ltda, Douglas Silva de Oliveira Azara, de 26 anos.
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) investiga um esquema criminoso que desviou R$ 60 milhões da Zema Financeira instituição com sede em Araxá que pertence à família do ex-governador mineiro Romeu Zema. O ataque cibernético, ocorrido no final de 2025, gerou um prejuízo total de R$ 75 milhões à instituição e resultou na decretação da prisão preventiva do empresário Douglas Silva de Oliveira Azara, de 26 anos, apontado como líder da operação e que atualmente se encontra foragido em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
Como funcionou a invasão cibernética
De acordo com as investigações policiais, os criminosos utilizaram de forma indevida credenciais de um prestador de serviço de TI para invadir o aplicativo e os sistemas internos da instituição financeira. Com o acesso liberado, o grupo emitiu e pagou boletos falsos, além de realizar transferências diretas via Pix.
Para mascarar a origem e o destino do dinheiro, foram utilizadas 19 empresas de fachada e contas bancárias em nome de “laranjas”. O cruzamento de dados de inteligência e conexões IP confirmou que os acessos partiram da residência de Douglas Azara, em Anápolis (GO).
Envolvimento de familiares e foragido no exterior
O caso ganha contornos complexos com a participação de pessoas próximas ao suspeito:
- Célia de Fátima Ferreira: Avó de Douglas, idosa de 77 anos moradora de Uberlândia, que foi colocada como titular de contas que movimentaram milhões. A Polícia Civil constatou que a idosa possui diagnóstico de Alzheimer e não responde por si.
- Integrantes prescreviveres: A companheira de Douglas, a advogada Jessika Lorrane, está com mandado de prisão aberto, enquanto o cunhado Maycon Douglas e o diretor de TI Marllon Henrique foram presos em Goiás.
Mesmo com ordem de prisão emitida pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais em 1º de julho de 2026, Douglas viajou para o exterior semanas depois e passou a publicar fotos ostentando veículos de luxo e participando de partidas de pôquer. A Justiça já determinou o bloqueio de até R$ 75 milhões nas contas de todos os investigados.
O que dizem os citados
Em nota oficial, a Zema Consultoria informou que segue acompanhando as apurações conduzidas pelas autoridades competentes e que aguardará a conclusão das investigações.
A defesa de Douglas Azara alega que ele não possui envolvimento com o crime e que sua plataforma bancária teria sido utilizada sem a autorização dele. A defesa de Marllon Henrique afirmou que o cliente apenas prestou serviços técnicos profissionais e não participou dos ilícitos. Os demais citados não responderam ou não foram localizados até o fechamento desta edição.
Fonte: Metrópoles