“Quando eu acordei na UTI, eu só perguntava: ‘E a faculdade?’”, relembra a estudante após ataque de tubarão.

A estudante de Direito Marcela Vitória, de 19 anos, surpreendeu médicos e familiares ao despertar na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) após ter a perna direita amputada em decorrência de um ataque de tubarão-tigre no Recife (PE). Em vez de lamentar o ocorrido, a primeira pergunta feita pela jovem ao ver a mãe foi: “E a faculdade?”. A história de determinação e foco nos estudos contrasta com os desafios cotidianos enfrentados por universitários de todo o país que conciliam rotinas de trabalho e graduação.
A força de vontade que venceu a tragédia
O ataque ocorreu em um trecho raso da Praia de Boa Viagem, na capital pernambucana. Marcela foi resgatada, passou por duas cirurgias e permaneceu 40 dias internada, sendo cinco deles na UTI. Mesmo no hospital, a jovem não interrompeu a rotina acadêmica: continuou acompanhando os conteúdos do curso e realizando avaliações de forma on-line.
Antes do acidente, a rotina de Marcela refletia a realidade de muitos estudantes brasileiros: ela dividia o tempo entre as aulas de Direito e o trabalho como auxiliar de pizzaiolo para cobrir as despesas de casa. O esforço extremo gerou comoção, resultando na conquista de uma bolsa de estudos e no apoio para a aquisição de uma prótese. O objetivo principal permanece intocado: tornar-se juíza.
“Eu perdi um membro, mas ganhei muita coisa boa. Vi de perto o que é lealdade, meus amigos, minha família e o apoio de pessoas que eu nem conhecia. Vamos viver, estudar, trabalhar e aproveitar tudo de bom que a vida tem”, afirmou a estudante.