Glória Menezes e Laura Cardoso morrem com um dia de diferença.


A atriz Glória Menezes, um dos grandes nomes da história da dramaturgia brasileira, morreu nesta terça-feira (18), aos 91 anos, em seu apartamento no Rio de Janeiro. A assessoria de imprensa da artista confirmou que a morte ocorreu por causas naturais. Abalando fãs e colegas de profissão em todo o país, a perda marca o fim da trajetória de uma artista que construiu uma carreira de mais de seis décadas no teatro, cinema e televisão, acumulando participações em mais de 40 novelas.
Trajetória e grandes papéis
Nascida Nilcedes Soares de Magalhães, em Pelotas (RS), no dia 19 de outubro de 1934, Glória iniciou sua vida artística no teatro antes de ganhar projeção nacional nas telas. Sua estreia na TV Globo ocorreu em 1967, na novela Sangue e Areia, interpretando a personagem Doña Sol. Na trama, formou par romântico com Tarcísio Meira (1935–2021), com quem viveu um casamento de quase seis décadas e construiu uma das parcerias mais célebres do entretenimento brasileiro.
Ao longo dos anos, a atriz viveu personagens emblemáticas que marcaram gerações, incluindo papéis nas novelas Irmãos Coragem (1970) onde interpretou as três personalidades de Lara, Diana e Mário, Pai Herói (1979), Guerra dos Sexos (1983), Brega & Chique (1987), Rainha da Sucata (1990), A Próxima Vítima (1995), Torre de Babel (1998) e Senhora do Destino (2004). No cinema, destacou-se no longa O Pagador de Promessas (1962), dirigido por Anselmo Duarte, obra histórica que conquistou a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Seu último trabalho na televisão foi na novela Totalmente Demais, em 2015.
Parceria com Tarcísio Meira
A história de Glória confunde-se com a própria evolução da teledramaturgia no Brasil. Em 1964, ao lado de Tarcísio, ela estrelou 25499 Ocupado, na TV Excelsior, reconhecida como a primeira novela diária da televisão no país. A união profissional e pessoal gerou projetos inovadores, como o seriado Tarcísio & Glória (1988), criado por Daniel Filho, Euclydes Marinho e Antonio Calmon, no qual o casal também atuou como produtor.
Tarcísio Meira faleceu em agosto de 2021, vítima de complicações da Covid-19. Glória Menezes deixa três filhos Tarcísio Filho e outros dois frutos de seu primeiro casamento, além de netos e uma legião de admiradores por todo o país.
Laura Cardoso
A atriz Laura Cardoso, reconhecida como uma das maiores intérpretes da história da dramaturgia brasileira, morreu na noite de segunda-feira (17/8), aos 98 anos, em São Paulo. Fiel à própria convicção de que a aposentadoria só chegava com a morte, a veterana manteve-se na ativa até seus últimos anos de vida, deixando um legado de disciplina extrema e dedicação absoluta ao ofício artístico. O velório da artista ocorre nesta terça-feira (18/8) em São Paulo.
Método rigoroso e devoção ao texto
Nascida Laurinda de Jesus Cardoso Balleroni, em 13 de setembro de 1927, na capital paulista, a filha de imigrantes portugueses iniciou sua carreira no rádio nos anos 1940. Essa escola de transmissões ao vivo moldou sua disciplina impecável. Quando a televisão chegou ao Brasil, Laura transitou para as telas na TV Tupi, em 1952, enfrentando o rigor da programação sem cortes ou possibilidades de edição.
Até seus trabalhos mais recentes como a novela A Dona do Pedaço (2019) e o curta-metragem Dona Rosinha, a atriz manteve um método de preparação exigente e minucioso. Colegas de trabalho lembravam seu perfeccionismo e pouca afinidade com improvisações. Para construir personagens com “cara, corpo e alma”, a artista declarava encarar um processo de estudo profundo e muitas vezes doloroso, dedicando horas ininterruptas aos roteiros.
Referência para gerações de artistas
A postura séria e sem vaidades fez de Laura Cardoso uma verdadeira professora para a classe artística. Durante uma homenagem recente nos estúdios da TV Globo, a atriz Susana Vieira definiu a veterana como sua grande mestra, destacando o respeito que Laura impunha pela profissão.
Além dos palcos e estúdios de gravação, a trajetória da artista abrangeu estreias marcantes no teatro na década de 1950 sob a direção de Antunes Filho. Laura Cardoso deixa duas filhas, três netos e um bisneto, além de um acervo memorável de atuações.
Laura Cardoso participou de mais de 60 novelas ao longo de sua carreira. Entre as principais estão “Brilhante” (1981), “Pão-Pão, Beijo-Beijo” (1983), “Livre para Voar” (1984), “Fera Radical” (1988), “Mulheres de Areia” (1993), “A Viagem” (1994), “Chocolate com Pimenta” (2003), “Caminho das Índias” (2009), “Gabriela” (2012), “O Rei do Gado” (1996) e “Sol Nascente” (2016).