Primeiro embarque direto de 200 quilos de Castanha de Baru para o mercado austríaco consolida nova era para a agricultura familiar do Cerrado Mineiro.




A Castanha de Baru do Cerrado Mineiro alcançou um marco histórico para a sociobioeconomia nacional com a conclusão de sua primeira exportação direta para a Áustria, na Europa. A operação foi realizada pela Cooperativa Regional de Base na Agricultura Familiar e Extrativismo (Copabase), que enviou uma remessa inicial de 200 quilos do produto, obtendo uma remuneração 25% superior à praticada em outros mercados internacionais. Este embarque representa a primeira venda ao continente europeu após a União Europeia autorizar a importação de castanhas de baru torradas, abrindo novas frentes comerciais para as centenas de famílias extrativistas de Minas Gerais.
Conquista do mercado europeu e prêmios
A abertura do mercado europeu era aguardada desde julho de 2025, data em que a União Europeia emitiu a autorização sanitária para a entrada do produto torrado. Antes de conquistar a Áustria, a Castanha de Baru mineira já havia alcançado mercados exigentes nos Estados Unidos, Canadá e Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. O processo de internacionalização foi impulsionado por parcerias estratégicas com entidades como o Sebrae Minas, Funbio, WWF-Brasil, Fundação Banco do Brasil e Central do Cerrado, que estruturaram consultorias de inteligência comercial, rastreabilidade e adequação sanitária.
Além do sucesso na exportação, o derivado do Cerrado ganhou relevância no cenário nacional durante a feira NaturalTech 2026, realizada em São Paulo no início de junho de 2026. Na ocasião, uma das inovações da cooperativa — o Baru Drageado 70% Cacau — conquistou o 2º lugar na categoria de alimentos do Bio Brazil Fair Awards/2026, destacando-se pelo alto valor agregado, identidade territorial e apelo sustentável.
Sustentabilidade e impacto social no campo
A consolidação da cadeia produtiva do baru demonstra o potencial econômico do Cerrado em pé. Atualmente, o fruto responde por cerca de 50% de todo o faturamento da Copabase, que beneficia e comercializa aproximadamente 15 toneladas de castanhas por ano.
O impacto dessa operação é direto na base produtiva: cerca de 300 famílias de agricultores familiares e extrativistas do Noroeste de Minas Gerais, sobretudo na região do território Urucuia Grande Sertão Veredas, têm sua renda fortalecida pela atividade. A comercialização internacional não apenas assegura a sobrevivência econômica dessas comunidades, mas atua como uma ferramenta crucial para a conservação ambiental do bioma através do manejo sustentável.