Inquérito concluído pela Polícia Civil indicia jovem de 24 anos por homicídio qualificado em razão de omissão no dever legal de proteção ao próprio filho; pai confessou crime antes de ser encontrado morto no Presídio.


A Polícia Civil concluiu e encaminhou à Justiça o inquérito que investigava a morte de um bebê de 3 meses e 15 dias, ocorrida no bairro Jardim das Palmeiras, em Uberlândia. A mãe da criança, Lorenna Garcia da Costa, de 24 anos, foi indiciada por homicídio qualificado devido à omissão no dever legal de proteção da vítima. O caso, que inicialmente foi comunicado pelos pais como um engasgo com leite, revelou uma rotina de violência doméstica constatada por exames periciais e confissões.
Laudo Médico e Confissão de Agressões
De acordo com as investigações lideradas pelo delegado Carlos Fernandes, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e a perícia técnica identificaram lesões e hematomas no rosto do bebê que eram inteiramente incompatíveis com a versão de engasgo apresentada pelos responsáveis. O laudo pericial confirmou que a causa real do óbito foi traumatismo craniano gerado por agressões físicas.
Durante as apurações, o pai do bebê, Wandersson Benedito Pereira da Silva, de 25 anos, confessou ter agredido o filho motivado por incômodo com o choro da criança. Ele admitiu ainda que já havia cometido outras violências anteriores, incluindo o arremesso do próprio filho contra o berço. Conforme a Polícia Civil, a mãe presenciava os episódios, mas omitia-se, deixando de impedir as agressões.
Prisão e Morte no Sistema Prisional
Em depoimento, a mulher alegou que também sofria ameaças e agressões físicas por parte do companheiro e que o medo a impedia de buscar ajuda externa. Ela relatou também que o homem chegou a proibir o acionamento imediato do socorro médico quando o bebê manifestou dificuldades respiratórias. A jovem segue detida na Penitenciária Professor João Pimenta da Veiga. A Defensoria Pública de Minas Gerais, que representa a indiciada, informou que não comenta casos da área criminal para preservar o andamento do processo.
O pai do bebê foi preso em flagrante no início das investigações, mas acabou sendo encontrado morto em uma cela individual no Presídio Professor Jacy de Assis dias após a detenção. A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) instaurou um procedimento administrativo para apurar as circunstâncias da morte na cela, enquanto a investigação criminal do fato segue sob responsabilidade da Polícia Civil.
Fonte: G1