A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou a versão oral diária do Wegovy para sobrepeso e obesidade, mas o medicamento ainda não possui preço fixado e nem previsão de chegada às farmácias brasileiras.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta semana a comercialização da versão em comprimido do Wegovy (semaglutida), fabricado pela farmacêutica Novo Nordisk. Trata-se do primeiro medicamento oral da classe dos agonistas de GLP-1 liberado no país para o tratamento clínico da obesidade e do sobrepeso. Apesar do aval regulatório publicado no Diário Oficial da União, o produto ainda não possui preço definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) e não tem previsão oficial para desembarcar nas farmácias do país.
Eficácia semelhante à da injeção semanal
Até a decisão, os pacientes que utilizavam a semaglutida para controle de peso dependiam exclusivamente de injeções subcutâneas semanais com canetas aplicadoras. A nova formulação consiste em um comprimido de 25 mg de uso diário.
De acordo com o ensaio clínico publicado no periódico científico internacional The New England Journal of Medicine, que serviu de base para a decisão da agência, o comprimido apresentou taxa de sucesso comparável à da via injetável: os pacientes que ingeriram a dosagem diária perderam, em média, 13,6% do peso corporal ao longo de 64 semanas, contra 2,2% do grupo submetido ao placebo.
Mecanismo de ação e absorção gástrica
A molécula atua mimetizando o hormônio GLP-1, substância naturalmente secretada pelo intestino após as refeições. Esse hormônio comunica ao sistema nervoso central que o organismo já está alimentado, freando os sinais de fome e reduzindo a velocidade de esvaziamento do estômago para prolongar a saciedade.
A via oral exige dosagem substancialmente superior à versão injetável: enquanto a caneta semanal de manutenção emprega 2,4 mg, a versão em comprimido reúne 25 mg por dia. Essa diferença compensa a degradação natural que o princípio ativo sofre no trato digestivo antes de atingir a corrente sanguínea.
Cenário de mercado e abastecimento
A Novo Nordisk já comercializa no Brasil uma versão oral de semaglutida, o Rybelsus, indicada estritamente para o tratamento do diabetes tipo 2.
A liberação da versão para obesidade representa avanço no conforto dos pacientes avessos a agulhas, mas especialistas alertam para a cautela: a produção, importação, trâmites de precificação e logística de distribuição ainda precisam ser cumpridos, o que mantém a chegada às gôndolas e estoques farmacêuticos sem qualquer cronograma fechado até o momento.
Alerta de saúde: o perigo das fórmulas clandestinas e vendas sem receita
Com a repercussão da nova aprovação e a ausência do produto nas farmácias, profissionais de saúde acendem um alerta crítico contra o comércio paralelo de substâncias emagrecedoras. A busca por resultados rápidos tem impulsionado a venda ilegal de supostas “semaglutidas manipuladas”, cápsulas sem registro sanitário e soluções comercializadas em redes sociais ou canais clandestinos.
Consumir medicamentos sem procedência comprovada ou sem a devida prescrição e acompanhamento médico acarreta sérios riscos à vida, incluindo:
- Fórmulas adulteradas e contaminação: Produtos falsificados não passam por testes de controle de pureza e podem conter dosagens letais ou substâncias tóxicas misturadas;
- Sobrecarga hepática e renal: O uso inadequado e desregulado de princípios ativos compromete órgãos vitais;
- Efeitos adversos severos: Desidratação aguda provocada por vômitos incontroláveis, episódios de pancreatite aguda, arritmias e descompensação metabólica.
O Wegovy em comprimido é uma terapia médica de uso controlado. Especialistas advertem: nenhum tratamento para perda de peso deve ser iniciado sem diagnóstico individualizado de um endocrinologista ou médico habilitado.
Fonte: G1
Nota interna da redação: Cabe ressaltar que a Anvisa apenas publicou o registro do medicamento; a comercialização efetiva só terá início após a CMED definir o Preço Máximo ao Consumidor (PMC).