A vitória do Dudu: Menino de Patos de Minas retorna curado dos EUA após mobilização que uniu Patrocínio

Eduardo Amaral, de 3 anos, recebeu terapia gênica pioneira nos Estados Unidos para reverter a Paralisia Espástica Hereditária Tipo 50, mobilizando campanhas solidárias em toda a nossa região.

O pequeno Eduardo Silva Amaral, carinhosamente chamado de Dudu, de 3 anos e natural de Patos de Minas, desembarcou no Brasil no último dia 13 de junho após passar quatro meses em Dallas, no Texas (EUA), onde foi curado da Paralisia Espástica Hereditária Tipo 50 (SPG50). Primeiro paciente brasileiro diagnosticado com esta condição genética ultrarrara que afeta menos de 100 pessoas no mundo, o menino interrompeu a progressão da doença após receber uma terapia gênica experimental inovadora. A conquista encerra uma intensa jornada de exames e viagens, viabilizada por uma massiva corrente de solidariedade regional que contou com forte engajamento de moradores e doadores de Patrocínio.

A corrida contra o tempo e o tratamento nos EUA

Dudu recebeu o diagnóstico aos 18 meses de vida. A SPG50 é uma disfunção degenerativa severa provocada por uma mutação no gene AP4M1. Sem a intervenção, a doença causa rigidez muscular progressiva, levando à paraplegia por volta dos 10 anos e à tetraplegia aos 20 anos.

Para reverter o prognóstico desfavorável, a família integrou uma pesquisa internacional da associação Elpida Therapeutics utilizando o medicamento experimental Melpida, projetado para reparar o DNA afetado. O tratamento teve início em 11 de março de 2026, submetendo o garoto a avaliações neurológicas periódicas e exames de imagem seriados. Segundo a geneticista Luciana Vinhal dos Santos Ferreira, que acompanha o caso, o principal objetivo científico foi atingido: paralisar a evolução da doença e evitar a perda de habilidades motoras e cognitivas.

Mobilização milionária envolveu a comunidade regional

A ida de Dudu aos Estados Unidos exigiu um esforço financeiro monumental. Foram nove meses de campanha nacional para alcançar a meta inicial de R$ 18 milhões, complementada posteriormente por uma arrecadação adicional de US$ 1.150.000 devido a cortes de verbas acadêmicas nos EUA. A mobilização regional contou com rifas, eventos beneficentes e a participação ativa de voluntários em Patrocínio e municípios vizinhos, culminando com uma doação anônima decisiva de R$ 126 mil que fechou uma das etapas da campanha.

“Foram quatro meses muito difíceis e estamos felizes em voltar para o Brasil, para a nossa vida. Agora, o Eduardo finalmente não tem mais essa doença horrível”, comemorou o pai, Paulo Amaral. A família permanece temporariamente em São Paulo realizando exames de rotina antes de retornar em definitivo para o Alto Paranaíba. As próximas etapas incluem a retomada de terapias multidisciplinares intensivas, como fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional, essenciais para estimular o desenvolvimento motor do menino.

Fonte: G1

Publicado por Luana Mirelly

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