Compradora revelou que acreditava que o imóvel estava vazio e agora aciona a Justiça para anular o leilão após encontrar moradora sem vida sob cobertas.

Uma compradora viveu momentos de terror ao entrar pela primeira vez no apartamento que adquiriu em um leilão extrajudicial em Patos de Minas, município vizinho a Patrocínio, no Alto Paranaíba. Na última quinta-feira (5), Kalina Poliana encontrou o corpo da antiga proprietária em avançado estado de decomposição sobre a cama, coberto por mantas e travesseiros. A suspeita da Polícia Civil é de que a mulher estivesse morta há mais de um ano, período em que o imóvel permaneceu fechado enquanto o banco executava o processo de leilão sem vistoria prévia. O corpo (ou ossada) era de Marilene de Fátima, de 53 anos, que estava desaparecida havia cerca de 11 meses, foi encontrado dentro de seu próprio apartamento no bairro Alto da Serra, em Patos de Minas (MG), na quinta-feira (5 de novembro de 2026).
“Achei que estivesse dormindo”
Kalina adquiriu o imóvel no dia 9 de outubro e obteve autorização do filho da antiga dona para ingressar no local. A família relatava que havia perdido o contato com a mulher e acreditava que ela havia se mudado para Varjão de Minas com um companheiro.
Ao destrancar a porta com o auxílio de um chaveiro, a compradora deparou-se com o apartamento limpo e organizado, sem odores perceptíveis na sala. O cenário mudou ao se aproximar de um dos quartos.
“Ela tinha uma coberta envolta nela. Quando eu vi, parecia que tinha alguém deitado dormindo na cama. Fiquei com medo e chamei o chaveiro para olhar. Ele voltou e me disse: ‘tem uma mulher morta lá dentro’. Eu não acreditei”, relatou Kalina em entrevista ao portal g1.
Em estado de choque, a mulher não conseguiu acionar as autoridades no primeiro momento; o próprio chaveiro telefonou para a Polícia Militar e para os órgãos periciais.
Cartas e preparativos fúnebres
A perícia da Polícia Civil constatou que a residência não apresentava sinais de arrombamento, luta corporal ou violência aparente. Ao lado do leito, os investigadores localizaram diversas cartas de autoria da falecida.
Nos manuscritos, a mulher detalhava como desejava a realização de seu funeral, indicava as vestimentas que gostaria de trajar na despedida e afirmava que o serviço funerário já se encontrava integralmente quitado. Em outro bilhete, ela declarava que deixava as chaves do imóvel para o filho único.
Ausência de vistoria e batalha judicial
A operação de arrematação ocorreu sem qualquer inspeção presencial no imóvel. Conforme explicou Vanilda Sousa, representante da empresa de assessoria de leilões Chave7 & Sousa, as instituições financeiras realizam esses procedimentos de forma estritamente documental após o atraso das parcelas do financiamento habitacional, notificando o devedor por vias formais antes de consolidar a propriedade.
A defesa de Kalina Poliana, conduzida pela advogada Lahra Lopes, confirmou que ingressará com uma ação judicial para anular a arrematação e desfazer o negócio.
A equipe jurídica aguarda o laudo necroscópico do Instituto Médico Legal (IML) para precisar a data do óbito. Se o falecimento ocorreu antes das notificações da Caixa Econômica Federal, a defesa sustentará a nulidade de todo o processo de retomada e alienação do bem.
Fonte: G1