Após dois anos de planejamento, a Secretaria de Infraestrutura de Minas Gerais revogou o edital de licitação após o Governo Federal negar a delegação da rodovia, prometendo obras diretas pelo DNIT.

O cenário logístico para quem trafega pela BR-365 a partir de Patrocínio sofreu uma mudança drástica nesta sexta-feira (13/02). A Secretaria de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias (Seinfra) anunciou a revogação oficial do edital de licitação do Lote Noroeste de rodovias. A decisão foi forçada por um ofício do Ministério dos Transportes, enviado na última quinta-feira (12/02), que negou a transferência dos trechos federais para a gestão estadual, sob o argumento de que o Governo Federal executará diretamente a duplicação e adequação da pista por meio do DNIT.
O impasse entre Estado e União
A estruturação do projeto, que visava conceder a rodovia à iniciativa privada para acelerar investimentos, vinha sendo discutida há dois anos com o aval anterior do próprio Ministério. Com a nova postura de Brasília, o trecho vital que liga Patrocínio, Patos de Minas e o entroncamento com a BR-040 (Luizlândia do Oeste) sai das mãos do Estado e retorna ao cronograma federal.
Em nota, a Seinfra criticou a decisão, reiterando que a inclusão da BR-365 no projeto mineiro era a “alternativa mais rápida” para solucionar gargalos históricos. O governo mineiro destacou que a falta de investimentos estruturantes pelo DNIT tem causado sérios prejuízos, citando como exemplo a interdição da ponte sobre o Rio das Velhas para veículos pesados, que já dura mais de um ano.
Promessa de Duplicação e Fiscalização
O Ministério dos Transportes justifica a negativa afirmando que prevê a execução direta das obras de duplicação. No entanto, o Estado de Minas Gerais alerta que, até o momento, sequer houve o protocolo de pedido para licenciamento ambiental por parte do Governo Federal.
Diante do cancelamento do leilão estadual, a Seinfra afirmou que acompanhará rigorosamente o cronograma de obras anunciado pela União, cobrando prazos que atendam à urgência do escoamento da produção e da segurança viária na região.