Investigação multidisciplinar do Ministério Público em 2025 revela idosos em gaiolas e uso coletivo de itens de higiene no interior do estado; Patrocínio segue em alerta para blindar suas instituições de tamanha precariedade.

O ano de 2025 está sendo marcado por uma das descobertas mais sombrias do jornalismo de direitos humanos em Minas Gerais. O projeto “Acolher com Dignidade”, do Ministério Público (MPMG), trouxe à luz um cenário que a promotora Érika de Fátima Matozinhos Ribeiro classifica como “próximo ao degradante”. Das 262 inspeções realizadas até agora, todas (100%) apresentaram irregularidades — desde falhas graves de infraestrutura até violações brutais à dignidade humana.
O Retrato do Horror no Interior
As equipes técnicas, compostas por psicólogos e engenheiros, relataram situações que remetem a épocas medievais. Entre os flagrantes mais chocantes estão:
- Privação de Liberdade: Idosos mantidos em estruturas semelhantes a gaiolas ou amarrados a cadeiras.
- Higiene Inexistente: Uso coletivo de escovas de dente, toalhas e até roupas íntimas, facilitando surtos de infecções.
- Fome e Abandono: Ambientes insalubres, quartos superlotados e imposição de jejuns forçados sob justificativas religiosas.
- Vigilância Invasiva: Câmeras instaladas em locais íntimos, ferindo o direito à privacidade garantido pela Constituição Federal.




De acordo com o MPMG, em muitas dessas unidades, o indivíduo possui menos direitos do que um detento em regime fechado, que ao menos tem direito a sol e visitas íntimas.
A Raiz do Problema: O Abandono Público
A promotoria destaca que, embora o cenário seja de choque, a causa reside na falta de recursos. O custo mensal de um idoso pode chegar a R$ 6.600, mas o repasse médio feito por muitos municípios é de irrisórios R$ 150. Sem verba, gestores voluntários acabam operando no improviso, sem alvarás sanitários ou segurança contra incêndios.
*A Casa do Idoso de Patrocínio Não tem qualquer relação com essa matéria