Investigações da Polícia Federal apontam que o empresário Daniel Vorcaro e o senador Ciro Nogueira estruturaram um conglomerado bilionário na Cemig SIM, impulsionado por indicações ligadas ao secretário da Casa Civil, Marcelo Aro.

O empresário Daniel Vorcaro, que segue preso e sob investigação da Polícia Federal na Operação Compliance Zero, estruturou em ritmo acelerado um conglomerado bilionário de dezenas de usinas fotovoltaicas de Geração Distribuída (GD) em Minas Gerais. A expansão contou com a sociedade do senador Ciro Nogueira (PP-PI) e teria sido viabilizada por facilidades concedidas por diretores da Cemig SIM, subsidiária da Cemig controlada politicamente pelo PP sob forte influência do secretário da Casa Civil de Minas Gerais, Marcelo Aro (PP-MG).
Avanço acelerado e sociedade sob investigação
Os negócios do empresário Daniel Vorcaro no setor de energia renovável ganharam forte tração nos anos de 2024 e 2025. Segundo as investigações da Polícia Federal, o avanço ocorreu em parceria com o senador Ciro Nogueira, a quem Vorcaro se referia em mensagens como “um dos meus grandes amigos de vida”.
Nogueira foi recentemente indiciado pela PF por ter recebido 30% de participação na Green Investimentos S.A., empresa pertencente a Vorcaro. A sociedade entre ambos tinha como objetivo central erguer o complexo solar no estado aproveitando brechas e facilidades operacionais.
O loteamento político na Cemig SIM
O crescimento do conglomerado de energia solar coincide com a consolidação da Cemig SIM como espaço de influência do PP. Desde janeiro de 2024, a subsidiária teve a diretoria comercial ocupada por nomes diretamente ligados à família do secretário da Casa Civil, Marcelo Aro.
A Casa Civil é a pasta responsável por centralizar o controle de nomeações públicas e autarquias no governo estadual. Foi justamente durante o período de gestão desses diretores que o grupo de Vorcaro e Ciro Nogueira obteve avanço expressivo e agilidade na aprovação de seus projetos junto à empresa de energia.
Em nota oficial, o secretário da Casa Civil, Marcelo Aro, negou interferência nos quadros da empresa estatal ou conhecimento sobre as negociações citadas.
Fonte: O TEMPO