A morte de um cachorro comunitário após ser agredido com objetos sólidos desencadeia operação policial contra adolescentes e familiares suspeitos de coagir testemunhas.

A Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão nesta segunda-feira (26) em uma investigação que apura a morte de “Orelha”, um cão comunitário de 10 anos agredido por um grupo de adolescentes. O caso, ocorrido em uma área litorânea, mobilizou a Delegacia de Proteção Animal (DPA) após a constatação de que o animal sofreu traumatismo craniano causado por um objeto sólido. Além das agressões, a investigação revelou indícios de que familiares dos jovens estariam coagindo testemunhas para interferir no andamento do processo judicial.
A Dinâmica do Crime e a Investigação
As agressões contra Orelha ocorreram no início de janeiro, mas o caso só chegou ao conhecimento das autoridades no dia 16. Durante o período de apuração, a delegada Mardjoli Valcareggi analisou mais de 72 horas de filmagens de 14 câmeras de monitoramento. Os vídeos e os depoimentos de mais de 20 pessoas ajudaram a identificar quatro adolescentes como os autores diretos dos maus-tratos.
O relatório pericial confirmou que a gravidade dos ferimentos na cabeça do animal impossibilitou a recuperação, levando à necessidade de eutanásia por razões humanitárias.
Padrão de Crueldade
A investigação apurou que Orelha não foi a única vítima. Outro cão da região, conhecido como “Caramelo”, também sofreu abusos do mesmo grupo, tendo sido arremessado ao mar. Diferente de Orelha, Caramelo conseguiu escapar e foi posteriormente adotado.
Desdobramentos e Fake News
O delegado-geral Ulisses Gabriel confirmou que dois dos adolescentes identificados estão atualmente em viagem ao exterior (Estados Unidos), com retorno previsto para a próxima semana. Devido à legislação de proteção ao menor, as identidades dos envolvidos permanecem sob sigilo.
Um desdobramento crítico do caso foi a disseminação de notícias falsas. Um casal sem qualquer relação com o crime foi alvo de linchamento virtual após perfis em redes sociais associarem erroneamente seus nomes aos agressores. O casal registrou boletins de ocorrência após receber ameaças de morte, expondo o perigo da justiça vigilante praticada na internet.