Autoridades federais investigam se recursos ilícitos foram ocultados em empreendimentos de luxo, enquanto decisões judiciais recentes sobre o caso geram debates sobre imparcialidade e segurança jurídica.

A Natureza da Investigação e o Elo com o PCC
O foco das autoridades está na “Operação Carbono Oculto”, que apura se fundos de investimento, como o Arleen e o Leal, foram utilizados para ocultar capitais de empresários do setor de combustíveis financiados pelo crime organizado. Silvano Gersztel, ex-executivo da Reag Gestora investigado por supostos elos com o PCC, teria representado esses fundos na aquisição de 50% das cotas do Resort Tayayá, pertencentes a José Eugênio e José Carlos Dias Toffoli, irmãos do ministro, em uma transação de R$ 6,6 milhões ocorrida em 2021.
Esclarecimento sobre a Propriedade
Diferente das narrativas iniciais que circulavam nos bastidores políticos, documentos da Junta Comercial do Paraná reforçam que o Ministro Dias Toffoli nunca foi sócio ou proprietário do resort. O empreendimento era um negócio privado de seus familiares, que já haviam iniciado o processo de saída da sociedade antes mesmo das investigações ganharem a atual escala. Entre fevereiro e setembro de 2025, os irmãos e o primo do ministro venderam suas fatias remanescentes ao advogado Paulo Humberto Barbosa, encerrando qualquer vínculo familiar com o ativo.
Sensibilidade Jurídica e Relatoria
A cautela institucional reside no fato de o Ministro Toffoli ser relator de processos que envolvem o Banco Master e a Reag Gestora, entidades que gerem os fundos compradores das cotas de sua família. Embora não haja prova direta de ato ilícito do magistrado, a Procuradoria-Geral da República (PGR) monitora o caso para avaliar possíveis conflitos de interesse. Críticos e analistas jurídicos destacam a necessidade de separar o “ruído político” da realidade documental, alertando que a vinculação direta do ministro ao imóvel carece de sustentação factual.